
Página do Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas (Obid) está offline desde 8 de janeiro. Dados oficiais são importante referência para políticas públicas e pesquisas. O site contendo dados oficiais sobre o uso de drogas no Brasil foi retirado em janeiro deste ano
Gras Grün/Unsplash
Uma busca na internet com o nome do Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas (Obid) indica como primeiro resultado o endereço “obid.senad.gov.br”, mas a página não pode ser encontrada. O site contendo dados oficiais sobre o uso de drogas no Brasil foi retirado do ar pelo governo federal em janeiro deste ano.
A mudança ocorreu quando os temas ligados ao uso de drogas no país passaram do Ministério da Justiça para o Ministério da Cidadania, há cerca de seis meses.
Estudo da Fiocruz sobre uso de drogas no Brasil é censurado
Uma pesquisa no site “Wayback Machine”, que arquiva informações de páginas publicadas na internet e permite buscas retroativas, mostra que a última data de visualização do site do Obid é o dia 8 de janeiro. É possível visualizar a última versão do Observatório, às 10:18 daquele dia.
A página ainda indicava que o Observatório estava sob o organograma do Ministério da Justiça.
O Obid é o único banco de dados oficiais com os levantamentos nacionais sobre o uso de drogas. é importante fonte de referência para pesquisadores e profissionais da área de saúde que trabalham com dependentes químicos. É, ainda, o único site com coletâneas de dados em nível nacional.
O G1 aguarda resposta do Ministério da Cidadania sobre os motivos para a retirada do site.
Polêmica com a Fiocruz
Recentemente, o governo federal censurou uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) sobre o uso de drogas no Brasil. O ministro da Cidadania, Osmar Terra, discorda do resultado da pesquisa, que ouviu mais de 16 mil pessoas entre 2014 e 2017.
No início de maio, numa entrevista à Globonews, ele colocou em xeque a credibilidade da Fiocruz, dizendo que a instituição pleiteia a liberação das drogas. A Fiocruz afirma que cumpriu todas as exigências do edital e só publicará a pesquisa quando isso for reconhecido pelo governo.
O estudo custaria R$ 7 milhões aos cofres públicos, mas a Fiocruz devolveu R$ 1 milhão ao concluir a pesquisa.
Atualmente, o impasse está sendo mediado pela Câmara de Conciliação da Advocacia-Geral da União (AGU), responsável por mediar conflitos entre órgãos públicos federais. Dada a grande visibilidade da polêmica, o órgão pretende agilizar a mediação do conflito.
Governo censura pesquisa da Fiocruz sobre uso de drogas no Brasil
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